13/01/2016

Entrevista a Ruben Baltazar


Olá leitores, tudo bem?
É com muito prazer que vos trago a primeira entrevista que faço para as Descobertas Literárias. Este projecto foi fundado em parceria com a Key, do blogue Ponto & Vírgula e tem como objectivo a divulgação de todos os envolvidos no mundo literário!

Agora voltando para a nossa entrevista, Ruben Baltazar é o autor do livro "Camarilla", já fiz uma resenha aqui no blogue sobre esse livro (cliquem na capa abaixo)!
Na entrevista vocês vão conhecer mais acerca deste autor português, vão saber mais detalhes a respeito de "Camarilla" e Ruben amavelmente cedeu algumas informações que podem interessar a todos os que desejam vir a publicar um livro.



Descobertas Literárias
Para começar a nossa entrevista, poderias falar-me um pouco de ti? Assim os leitores conhecem um pouco mais a teu respeito.

Ruben Baltazar
O meu nome é Ruben Baltazar, tenho 29 anos. Estou solteiro e sou bom rapaz! Gosto de cinema, música, gosto de pintar, desenhar e adoro ler e escrever! Frequentei o primeiro ano de informática de gestão na universidade, mas depois como o curso não era o que eu esperava, resolvi sair. Praticamente escrevo desde os meus 15/16 anos. Comecei primeiramente por escrever pequenas poesias, depois comecei por criar pequenos textos de ficção. Adoro fazer investigação para escrever sobre algo! É algo que me fascina e que me enche de entusiasmo. Adoro sempre investigar e aprender sobre tudo o que gosto e que possa gostar. É como ir à descoberta de algo! 

Descobertas Literárias
"Camarilla" é o teu primeiro trabalho publicado? Ou os teus textos anteriores ficaram guardados? Podes revelar um pouco mais sobre esses textos?

Ruben Baltazar
"Camarilla" é o meu primeiro livro publicado. Fiz algum trabalho de investigação, principalmente sobre vampiros, vampirismo, lobisomens, licantropia, tal como algumas entidades e seres mitológicos ligados ao vampirismo, foi muito interessante mesmo fazer essa investigação! Quanto aos textos, sim, tenho grande parte deles guardados. Basicamente são textos soltos dos mais diversos temas. Quase todos de ficção, policiais, fantasia, entre outros. Os textos soltos são bastante importantes para mim, porque eu através de um texto posso ganhar inspiração e vontade de criar uma nova obra com base nesse mesmo texto. Existem autores com que eu falo e outros que conheço pessoalmente que me dizem que têm dificuldade em começar uma nova obra, e eu acho isso extremamente curioso, porque o difícil para mim não é começar a escrever algo, mas sim acabar. Ou seja, eu neste momento tenho 5 obras começadas, algumas já com todo o seu trabalho de investigação feito, outras já estão mesmo avançadas, mas concluí-las torna-se um pouco difícil para mim, porque são mil e uma ideias de como poder continuar ou terminar uma obra. O autor tem esse poder! Pode começar uma grande história quase interminável, ou simplesmente pode pegar numa história, desenvolvê-la e dar-lhe um fim rápido. Sempre que crio algo registo de imediato os meus direitos sobre a obra. Poder criar algo que possa ser apreciado por outros é uma sensação divinal! 

Descobertas Literárias
Pessoalmente, acho mais complicado levar para o papel e construir a história da forma como a imagino. Dou por mim a parar muitas vezes para ir corrigir a forma como escrevi tal página ou paragrafo. Para os leitores desta entrevista e já que referes o assunto, como se pode registar um trabalho? Poderias explicar?

Ruben Baltazar
Se eu tiver a história dentro de mim já minimamente estruturada e composta, para mim não é algo que eu considere difícil. Obviamente que se eu não souber como começar algo sequer, aí sim pode tornar-se um pouco difícil começar. Isto falando de mim, claro! Cada caso é um caso e nunca poderemos comparar o método de cada autor. O processo de registo em si não é bastante complicado! Depende também como e onde queremos o trabalho protegido. Se queremos algo que fique só protegido dentro do espaço europeu, basta ir ao site do IGAC (Inspecção Geral das Actividades Culturais) em Portugal e seguir os procedimentos necessários. Preenche-se um formulário e submete-se a obra a análise. Se queremos algo protegido a nível mundial aí já teremos que fazer um registo em outras entidades e pagar uma quantia maior do que se for apenas algo a nível europeu. Por exemplo, pode-se ir ao WIPO (World Intellectual Property Organization). Não sabia que também escrevias! O que gostas de escrever?

Descobertas Literárias
Eu não conhecia o procedimento de registo das obras e agradeço a explicação! Sem dúvida que vai ajudar os leitores que quiserem registar os seus trabalhos. Eu escrevo fanfics, gosto de explorar pontas soltas sobre alguns personagens, mas também já tentei escrever textos da minha autoria, esses ficaram guardados e muitos não estão completos. Gosto de escrever sobre fantasia, criaturas sobrenaturais principalmente. Em relação a "Camarilla", ao contrário da maioria dos livros em que normalmente há um ou dois protagonistas, no teu livro, temos vários personagens principais. Foi fácil escrever dessa forma? Pois na leitura, pessoalmente, consegui seguir cada vivência sem ficar perdida. Podes contar-me a tua experiência ao escrever este trabalho em particular?

Ruben Baltazar
Em "Camarilla" eu tive o desejo de escrever algo que fosse um pouco diferente do que é comum e banal. Para mim não fazia sentido colocar só uma personagem principal, porque assim só teríamos uma realidade para descobrir. Ao criar várias personagens com realidades um tanto ou quanto diferentes, dá-nos de imediato aquela sensação de diferença, aquela outra perspectiva nunca antes visualizada. Foi muito interessante criar várias personagens, porque assim todas elas têm a sua importância e relevância na história. Descobrimos que todas elas dão o seu contributo e que só há a possibilidade de realizar certos objectivos quando há uma união, uma junção de vários elementos. Eu quando escrevi "Camarilla" procurei em determinados momentos fazer-me passar um pouco por cada personagem. Sentir o seu passado, os seus desejos, os seus medos, as suas forças, as suas fragilidades.... Procurei desdobrar-me e tentar ver com os olhos de cada uma. Todas as personagens têm uma ligação, têm algo em comum! Quase todas o que pretendem é simplesmente mudar, alterar o passado que tiveram utilizando o presente para moldarem o futuro! Elas assumem e vão em frente com aquela vontade de mudar as coisas, Foi algo que eu procurei dar relevância! Todos nós temos a capacidade de mudar o rumo das coisas, basta querermos e ter aquela vontade real de querer mudar! Não podemos esperar mudanças quando nós próprios não fazemos uma. Algumas personagens são quase o encaixe de outras! Fiz um grande trabalho de investigação e descobri coisas incríveis, relativamente a seres sobrenaturais. Penso que serão questões que o ser humano sempre irá colocar a si próprio. Será que tais seres existiram ou existem?! Será que andam entre nós e nunca quisemos ver?! Acredito que qualquer pessoa já terá feito essa perguntas algumas vezes na vida.

Descobertas Literárias
Acredito que um bom apreciador de criaturas sobrenaturais, em algum momento colocou essas questões. Para além das personalidades e histórias distintas de cada um dos personagens em "Camarilla" é visível uma crítica à sociedade e que se encaixa na realidade em que vivemos. Foi propositada essa crítica? E uma pergunta que não perguntei anteriormente, o gosto pela leitura e escrita foi despertado por influência de alguém próximo a ti? Ou foi algo que surgiu? E para escrever, tens algum autor ou autores que sejam uma inspiração para ti?

Ruben Baltazar
Sim, foi algo mesmo propositado, fazer uma crítica à sociedade actual! Faço várias críticas porque são coisas com as quais nos deparamos diariamente e todos nós deveríamos pensar um pouco e reparar que em alguns aspectos não estamos a caminhar no melhor sentido . As coisas se continuam a agravar-se a este ritmo, possivelmente não faltará muito para até deixar de existir sociedade como a conhecemos actualmente. Parece que vemos as coisas e ninguém tem a coragem para mudar de rumo ou até para alertar que estamos no mau caminho em diversos aspectos. O gosto pela leitura e escrita foi algo que surgiu em mim! Muito do meu tempo é a ler e a escrever qualquer coisa. Isto também porque os livros sem qualquer sombra de dúvida, são a melhor e a maior fonte de conhecimento. Infelizmente em Portugal, os portugueses não têm o gosto nem o hábito pela leitura, isto também porque os livros nem sempre estão acessíveis a todos, devido ao preço e também à sua distribuição. Em Portugal, os autores nacionais também são um pouco discriminados, pois mais facilmente os portugueses compram um livro de um autor estrangeiro do que de um autor português. Não falo só por mim, penso que em geral, todos os autores portugueses sentem de certa forma essa discriminação. Geralmente eu ganho inspiração através de temas, situações, algo que eu veja e me capte a atenção, desde imagens, cenários, paisagens, etc. Nunca me inspirei em nenhum autor, mais facilmente consigo inspirar-me em algum pormenor de um trabalho de alguém do que propriamente num autor que escreva sobre algo mais específico ou que tenha sempre algum tema como base.

Descobertas Literárias
Gostei do teu livro por causa disso também, pois faz com que o leitor pare para pensar no que o rodeia. Houve algum personagem que foi para ti, particularmente mais complexo/difícil de explorar?

Ruben Baltazar
É uma excelente pergunta!!  O Montenegro foi para mim um pouco difícil de explorar. Agora no segundo livro do "Camarilla" é uma das personagens que vou explorar mais, pois é uma personagem bastante complexa. Como tal, tem muito para ser explorada!

Descobertas Literárias
Montenegro é uma personagem bem misteriosa e interessante. Nas opiniões que li a respeito do teu livro, os leitores desejavam saber mais a respeito dele. Há previsões para publicação do segundo livro? E para terminar a entrevista, que conselhos podes deixar aos autores que estão a pensar escrever e publicar um livro?

Ruben Baltazar
O segundo livro ainda está a ser produzido, por isso não tenho ideia de quando será publicado, só posso dar a certeza que será publicado e que a segunda obra promete! Os autores que querem publicar um livro, aconselho a serem realmente genuínos e não se deixarem levar por "modas" ou influências! Escrevam o que realmente querem e gostem!! Só assim dá verdadeiramente prazer escrever sobre algo e tenham algum cuidado com as editoras, pois existem contratos menos bons que por vezes apanham alguns autores mais desprevenidos.

Mais sobre o autor e obra:



1 comentário:

  1. Olá :)

    Gostei imenso da entrevista!
    Foi um prazer poder conhecer um pouco do processo que o Ruben utiliza-se para escrever. Eu, particularmente, também gosto dessa parte da pesquisa, apesar de ser exaustiva serve para alinhar vários elementos importantes para estruturar bem a obra.
    Camarilla já está na minha lista de leitura para 2016, e tão logo possa vou à ele!
    Agradeço ao Ruben, pela gentileza de nos falar de si e de seu trabalho, eà você, Dev, por nos proporcionar esta oportunidade.
    Parabéns aos dois.
    Bjs

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